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A propósito da maldade humana...

Ontem saímos da clínica era 22:40.
Quando entramos na ambulância estava lá um senhor, via-se bem que vinha da urgência, velhinho, parecia que estava com o pensamento perdido.
É nosso vizinho, nós nem o conhecíamos.
Fomos leva-lo a casa.
Qual o meu espanto, o meu e o de todos os que estávamos na ambulância, eu o meu colega de tratamento, um bombeiro e uma bombeira.
Tocaram à campainha da casa, vem à janela uma senhora perguntar o que queriam.
O bombeiro educadamente disse que vinha trazer o senhor do hospital e foi aí que ficamos todos de boca aberta quando a senhora diz à janela "a esta hora? Isto não é hora de trazer ninguém a casa"... desculpem lá então se o homem teve alta da urgência a mulher queria que o levasse para onde? Será que queria que os bombeiros levassem o homem para dormir para o quartel? Enfim.
Ficamos todos muito sérios e o pobre homem envergonhado.
Demorou uma eternidade a abrir a porta.
Como o senhor mal se segura de pé levaram-no de cadeira de rodas e segundo consta foi um trinta e um lá dentro, porque ela queria que "deixasse para lá" valeu o bom senso e educação do bombeiro e bombeira de serviço que insistiram em ir deitar o senhor, pois ele não se podia mexer.
Entre outros pormenores no meio da conversa, ficamos os quatro espantados e não ficamos com a mínima dúvida de que o pobre homem é mal tratado.
Eu até vinha mais ou menos bem-disposta, mas aquilo deu-me semelhante volta ao estômago, fiquei com uma espécie de nervosismo, por não poder fazer nada que fiquei logo com umas dores de cabeça daquelas de caixão à cova mesmo.
Quando dizem que os idosos são mal tratados pelos mais novos, olhem que nem sempre é assim, ontem tivemos a prova disso, de que até a própria mulher é capaz de fazer tal acrobacia.
Uma coisa é a gente saber que isso existe mas não conhecer ninguém pessoalmente outra coisa é quando conheces o caso de um vizinho.
É triste e deprimente sem dúvida nenhuma.
Se isto não é maldade é o que?

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