1 de agosto de 2014

A dor de um animal partir...


Nunca fui uma pessoa muito ligada a animais... respeito-os acho isso suficiente... sou incapaz de lhes fazer mal.
Tinhamos o snoppy faleceu em finais de Fevereiro, estava cá em casa à 16/17 anos, era um caniche preto hiper ativo não parava quieto um segundo, era um "traidor" de primeira quem lhe desse um mimo que fosse lá ia ele, gozou enquanto pode foi um vadio de topo mesmo mas era ele que aqui à uns anos ia comigo até ao autocarro todos os dias e que lá estava na paragem quando eu voltava à noite. Embora não tenha dado a perceber sofri com a morte dele, afinal era como se fosse um membro da família... morreu de velhice, eu vi-o morto e essa imagem não me sai da cabeça.

Já à uns anitos veio cá parar aqui à rua uma cadelita que no café ao lado lhe puderam o nome de Rita... engraçado o facto dela se dar ao nome, a gente chama e ela vem.
Aqui à uns tempos... no início do ano... Rita teve três cães e duas cadelas... uma cadelinha preta e uma beje igual a ela, dois pretos e um castanho escuro.
Quando os vi tão pequeninos não resisti... eles estavam em casa da cabeleireira que é uma senhora que lhes dá dormida e comida, daquela de secos porque para dar restos estamos cá nós digamos que é um petisco extra... e peguei num pretinho longe de mim pensar que iriamos desenvolver tal amizade afinal iam ser todos adotados.
Mas não foram o filho mais novo da cabeleireira quis ficar com uma cadelinha preta... a que eu tinha pegado.
Enquanto era mais pequenina não saia da garagem começou a crescer e a aprender a escapar. 
No início não tinha nome mas as tantas o pessoal começou a chamar de preta para aqui e preta para ali, super ativa e inteligente... fazia-me tanto lembrar o meu snoppy que até ficamos na dúvida que possa ter sido filha dele. 
Encantadora o raio da cadela, não tinha cá vergonhas subia escadas fora, sentava-se à porta da cozinha, ou seja, era tudo dela... a gente falava com ele e ela abanava as orelhitas e o rabo parece que nos compreendia só faltava falar, tinha um vício terrível sempre que me apanhava sem chinelos ou chinelos abertos lá vinha ela lamber-me os dedos... desculpem mas detesto essas coisas... eu ralhava com ela, ela olhava para mim muito séria e mal eu olhava para ela, lá vinha ela lamber outra vez.
Tinha um vício desgraçado ladrar e por-se à frente dos carros, sempre dizíamos "um dia vai ser a tua morte desgraçada" e foi, ontem a minha mãe acordou-me para me vir dizer que ela tinha sido atropelada... mesmo em frente à nossa casa... quando cheguei cá fora e a vi estendida a dor que senti no meu coração foi tão grande que as lágrimas começaram a cair, quis ir ao pé dela mas a minha mãe não deixou, tenho aquela imagem da preta esticada tal igual ao snoppy depois de morto que parecia que estava a ver a mesma coisa.
Cada vez que vou à rua caem-me as lágrimas, ainda tem lá  a marca de sangue dela, não tinha mais de 5/6 meses. 
Coisas do destino ou não, tenho umas fotografias dela... nunca tive de mais nenhum animal, nem do meu snoppy.
Ora aqui estão elas... quando a conheci, pequenininha que ela era. 



Gira não era???