12 de dezembro de 2011

Sobre o suícidio...

Estava eu a ler o blog A vida da Sol quando leio este post dela "O QUE ACONTECEU FOI QUE TENTEI O SUÍCIDIO!", li o post todo até ao fim, fiquei sensibilizada... não o vou negar... fiquei com vontade de a ajudar, mas como??? Não a conheço, não faz parte do meu ciclo social, mas fiquei completamente atordoada, por pensar que eu mesma já pensei/penso tantas vezes nesse tema, mas nunca o executei, porque sou cobarde, porque não tenho a coragem de o fazer. Lembro-me perfeitamente a quando desta recaida o Dr. L. e a Drª J. chegaram ao pé de mim e disseram "M. a tua única solução neste momento é um cateter de urgência se não, não passas desta noite" não fazia a minima ideia de como estava, tinha estado 15 dias nos UCI e tava sem completa noção de nada apenas de que as coisas não deviam de estar muito bem, primeiro pelo tempo que lá estive e depois por me aperceber no rosto dos meus pais e irmão que cada vez que lá iam tinham estado a chorar. Nesse fim de dia quando me passaram para a enfermaria e esse Dr. e Drª me disseram isso, pedi que a minha mãe e o meu irmão saissem e pedi-lhes, por tudo o que era mais sagrado para não me fazerem mais nada, para me deixar em paz os últimos minutos, horas ou dias, porque eu não ia aguentar voltar outra vez aos tratamentos, os Drs. olharam para mim e disseram "estás doida miuda, és tão nova para isso, é uma questão de horas é verdade mas é possivel" e eu bati na mesma tecla eu não quero, não vou assinar documento nenhum para me colocarem cateter e tragam o que quiserem que eu assino responsabilizo-me pela minha decisão. Só me lembra o Dr. chamar o enfermeiro M. e ele colocar-me uma medicação qualquer e eu ficar toda atordoada completamente, chorei tanto porque sofri tanto nessa noite para me porem um cateter de urgência, as coisas correram muito mal e eu só me lembro do médico pegar no telemovel ligar para o bloco e dizer preparem tudo miuda de 25 anos a entrar, lembro-me do médico ir a fazer pressão porque aquilo só sangrava e da F. a auxiliar a correr a empurrar a cama, nem tempo para chamar o mensageiro tiveram, cena de filme mesmo toda a gente nos corredores a olhar e a fugir e eu com o rosto cheio de lagrimas e dores, entro no bloco tenho mais de 20 pessoas à minha espera, fui tudo uma questão de segundos uns a pegar em mim outros a tratar da hemorragia, tive pessoal fantastico a dar-me a mão enquanto eu chorava e pedia "por favor de-me anestesia por favor", nunca na vida vou esquecer a mão e o rosto daquele médico que me passou a mão na cara e disse "não posso querida tens que fazer dialise a seguir e não posso mesmo" eu supliquei por tudo o que lhe fosse mais sagrado, já não aguentava mais as dores até que ele disse "desculpem mas vamos dar-lhe algo leve, não aguento mais ver a miuda neste sofrimento"... e assim foi quando acordei já estava ligada à máquina a fazer dialise, lembro-me de ter pensado "oh Deus o que fiz eu para merecer isto tudo mais valia teres-me levado contigo já é a segunda vez que eu me deparo com a vida entre a espada e a parede" pensava eu que depois daquilo tudo iria ter que fazer os meus tratamentos semanais, ter o meu sofrimento mas que as coisas iam ficar por aí mas não este ano mais uma grande quebra, mais problemas, quando menos precisamos tudo aparece, tudo, tudo... sinto muitas vezes vontade de desistir da vida, mas só de imaginar o sofrimento que posso causar aos meus mais chegado dá-me um aperto tão grande no coração uma vontade enorme de chorar e penso que devo aguentar tudo o que já passei, tudo o que estou a passar e tudo o que irei passar. Tenho dias de tudo em que sofro muito, outros que até correm bem e sou capaz de me divertir, outros em que desejo profundamente que Deus me de uma coisinha má de uma momento para o outro e me leve desta para melhor... Se ainda continuo por cá são por eles, pelos meus pais, pelo meu irmão, pelo meu sobrinho/afilhado porque não quero que fiquem com a imagem e a recordação de que fui eu que desisti da vida que fui cobarde em não a enfrentar, por isso à que seguir em frente eu, a SOL e muitas outras pessoas que por vezes pensamos naquilo que não devemos, temos de lutar, lutar e seguir em frente e mostrar aos outros que apesar dos nossos problemas somos capazes de os ultrapassar e não não somos cobardes, por pensar em desistir.