6 de fevereiro de 2012

Saudades...

Saudades! Sim... talvez... e porque não?...
Se o nosso sonho foi tão alto e forte
Que bem pensara vê-lo até à morte 
Deslumbrar-me de luz o coração!

Esquecer! Para quê?... Ah! como é vão! 
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte 
Deve-nos ser sagrado como pão! 

Quantas vezes, Amor, já te esqueci, 
Para mais doidamente me lembrar, 
Mais doidamente me lembrar de ti!

E quem dera que fosse sempre assim: 
Quanto menos quisesse recordar
Mais a saudade andasse presa a mim!

Florbela Espanca