23 de outubro de 2017

O meu pai...

É uma pessoa muito calma, honesta, um homem maravilhoso.
Quando ando tudo bem é muito bom, ele ajuda-nos, se tiver que cozinhar cozinha, sem qualquer problema.
O único se não do homem é quando esta doente... o que é raro graças a Deus...ou quando cai e se magoa, é aqui que começa o "problema".
Aqui à uns tempos andava a pintar o portão caiu e levou com a tinta preta por ele abaixo, cabelo, cara, braços, ouvidos, óculos, tudo.
Não vou negar que quando o vi subir naquele estado me deu vontade de rir, não me ri como eu gostava de me rir à gargalhada mas disse "o carnaval já passou" ao que ele me respondeu "goza".
Lá estive eu uma hora e tal armada de acetona, diluente, algodão e panos a limpar o homem demorou mas ficou impecável.
Dessa vez aleijou-se no joelho.
Foi preciso começar a por gelo, colocar pomada, não queria tomar nada para as dores e eu é que tinha que tomar conta disso tudo.
Esta semana na terça chego a casa cansada do tratamento já passava das 22:40h e diz ele "olha traz aí o álcool que algo me picou aqui no braço deita aqui que tu é que sabes por e coça-me aqui as costas"... no braço, tem duas mãozinhas, livres mas não teve que esperar que eu viesse.
Ali estava eu ainda vestida, cansada e a realizar o pedido.
Ontem caiu outra vez... bem lhe digo para ter cuidado mas não me liga nenhuma... portanto aleijou-se novamente no mesmo joelho, sugeri logo leva-lo à urgência e ainda me disse que estava "louca".
Lá esta esfreguei a pomada e passado um bocado fui dormir.
Era 1:20h da madrugada e ouvi barulho na cozinha, era a minha mãe que foi buscar um comprimido e água para ele tomar.
Eram 03:00h da manha e oiço um barulho toca a levantar, era ele a mancar a dizer que se ia deitar no sofá e que não aguentava as dores, dei-lhe um relaxante muscular e ele optou por se deitar no sofá individual que dá para levantar ligeiramente as pernas.
Tapeio com mantas polares e disse "se quiseres descer chama que eu vou deixar a minha porta do quarto aberta para te ouvir...que fica em frente à porta da sala".
"Sim sim vai dormir" disse ele.
Vim para a cama mas mal consegui pregar olho, as tantas ouvi um barulho,  levantei-me e estava ele quase no chão da sala com o sofá prestes acair-lhe em cima, ai senhor só me apetecia mandar-lhe dois berros, respirei fundo e disse "eu não te disse que se precisasses de te levantares para me chamares que eu ajudava-te" fica a olhar para mim a abanar a cabeça e só sabe dizer "nunca pensei que o sofá fosse tombar".
Saiu dali e pergunto "e agora para onde queres ir?" e diz ele "para o sofá grande" tapo todo com as mantas polares e digo "esta tudo bem? É assim que queres ficar?" ao que ele diz "sim, sim vai dormir".
Volto para a cama eram 03:40h e começo  a ouvir ele a mandar vir e a falar como se estivesse em pleno dia.

"O que é que foi desta vez?" pergunto eu, diz ele "traz o álcool que algum mosquito me picou" lá foi ela buscar o álcool, voltou a tapa-lo e mais uma vez volta para a cama.
Passado um bocado lá esta ele a mandar vir alto, vou ao pé dele pergunto "e então o que se passa?" diz ele "ah tapa-me" olho para ele e pergunto "tá tudo?".
Volto para a minha cama eram 06:00h levantei-me e vejo que ele não esta na sala, mas consigo ouvir o ressonar, estava na cama.
Menos mal, fui dormir.

Se continuar assim vou ficar com o cabelo branco num instante.  

P.S: Este post foi escrito no sábado, mas esqueci de clicar no botão publicar... vejam só como eu ando.