3 de novembro de 2010

Amizades parte I


Conheci a C desde os tempos da primária, não andávamos na mesma escola, mas frequentávamos o mesmo salão na catequese.
Sempre reparei que era um bocadinho “diferente” aquele tipo de miúda mais sossegada e tal, mas não existia qualquer tipo de amizade entre nós.
Após vários anos, no 10º ano, por ironia do destino calhei na turma da C, regra geral no 10º ano é sempre gente nova e como a conhecia de vista, juntamos o útil ao agradável e passamos a ser inseparáveis.
Até aos dias de hoje e como tudo na vida existem coisa que eu não concordo que ela faça, mas outras até lhe achava uma certa piada à maneira e forma como ela via o mundo… um tanto quanto esquisita no meu modo de ver, mas sempre estive com ela.
Tínhamos um apelido engraçado, gémicas… porque muitas vezes bastava olharmos uma para a outra e como por magia estávamos a pensar a mesma coisa e riamos bastante com todo o cenário.
Com o passar do tempo cada um foi seguindo o seu caminho, as suas tarefas e rotinas.
Vai fazer três anos, que aconteceu uma coisa que não achei muita piada, estava numa festa com uma prima dela, quando ela chegou com os pais e fez de conta… por e simplesmente fez de conta que não conheceu ninguém… na altura fiquei completamente bloqueada sem reacção e não tive a mínima capacidade de fazer nada, fiquei só a olhar aparvalhada.
A cena voltou-se a repetir outra vez quando passou por mim na paragem do autocarro, teve que parar porque estava transito e ali à minha frente fez de conta que não me conheceu, mexeu no cabelo tique que tinha quando estava nervosa e fez de conta que não estava ali ninguém.
Senti-me frustrada, magoada e ao mesmo tempo inútil pelo sucedido.
Não gosto deste tipo de pessoas, como sei que por ventura ela poderia não estar nos seus dias, tentei uma aproximação, enviei e-mail, sms, até cheguei ao ponto de a convidar para jantar assim que ela tivesse uma folga e até hoje nunca se realizou esse jantar porque ela nunca mais disse nada.
Tenho pena de ter acontecido isso mas também não tenho que andar sempre com a obrigação de tentar reatar porque se houve falha foi dos dois lados e do meu lado já tentei uma aproximação, falhou, sinto muito porque gostava muito da amizade dela, mas penso que será melhor assim, cada uma por si.
Nunca tive um problema deste género, graças a Deus tenho bons amigos e bastantes colegas que me permitem sorrir nos bons ou maus momentos.
Este é um assunto que apenas desabafei com a minha mãe, mas desta feita vou seguir o conselho da minha mãe “segue a tua vida e não percas tempo com quem não merece” e é porque é, porque mãe que é mãe tem sempre razão.
Assim, será, fiquei sem a amizade da C mas tenho outros amigos muitíssimo importantes no desempenho do meu dia a dia e da minha vida.