22 de junho de 2011

Alice...

Adorava que tivesses lido estas palavras que te escrevo, como não é possível, onde estiveres vais entender e recebe-las com todo o carinho e divertimento que nos caracteriza. Sinto-me frustrada e perturbada por teres partido no momento em que supostamente irias encontrar a tua salvação, todos nós que temos este problema sabemos que o nosso bem estar e qualidade de vida tem um longo caminho que poderá correr bem ou muito mal, como foi contigo. Fiquei tão feliz quando soube que te tinham chamado para o transplante, a minha felicidade era tanta como se fosse para mim, mas tudo caiu quando me disseram que não resistis-te. E lembrar-me que na última quinta-feira estivemos na maior risota na maior javardice e que eu dizia sempre para comigo que tu eras um autentico rádio porque não te calavas um segundo, tinhas a maior pedalada para aguentar os tratamentos e eu ali prestes a cair de tanto cansaço e a tua voz sempre a tentar incentivar para que eu tivesse força e entrasse na brincadeira. As coisas não acontecem por acaso e se Deus te quis levar é porque teve um motivo muito grande para isso, quero que saibas que o ambiente na clínica esta como se diz pelas ruas da amargura… mas à que seguir com a vida para a frente e todos nós sabemos que tu estarás “aí” e que nos vais acompanhar, e tenho a certeza que tu mesma irias querer que tentássemos seguir em frente com um sorriso e com a recordação dos bons momentos que passamos juntos. Um beijinho enorme de alguém que adorava pegar contigo e que jamais te esquecerá.